Brasil Uber Alles, Heil Mein Capitão

Esta é uma história fictícia, com personagens fictícios. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos atuais é uma mera e assustadora coincidência. A narrativa ficcional procurou passar uma visão otimista de que, mesmo descendo ao inferno da barbárie, conseguiremos recuperar o caminho da civilização em quatro anos. Só que na vida nem sempre o final é feliz.

Ano 2022. Uma Assembléia Constituinte foi convocada para estabelecer as bases do recomeço democrático no Brasil, após quatro anos de trevas resultantes da chegada do fascismo ao poder pelas urnas. As esperanças são que, desta vez, o país possa usufruir de um longo período de prosperidade e justiça social.

Quatro anos, que mais pareceram uma eternidade, se passaram desde a eleição presidencial que levou ao poder o capitão Jairo Olson. A campanha para a eleição foi realizada com ampla disseminação de notícias falsas, com o emprego das mesmas estratégias de campanha pela internet que já haviam se mostrado bem sucedidas em levar ao poder governos de extrema-direita em vários países, inclusive no centro do Império. Surgiram denúncias bem embasadas de financiamento ilegal da campanha do capitão promovido por empresas, exatamente com o intuito de propagar notícias falsas por meio das mídias sociais. No entanto, a justiça eleitoral falhou ao não impugnar a candidatura do capitão em face destas denúncias. Nas ruas, o clima foi de intimidação, com ataques a ativistas e apoiadores da campanha do candidato trabalhista, sob o olhar complacente da justiça eleitoral e da polícia militar.

Nos dias que antecederam o segundo turno da eleição ocorreram violentas agressões contra gays e seguidores de cultos afrobrasileiros, uma provável retribuição de alguns seguidores do capitão ao apoio recebido das igrejas neopentecostais, e um sinal do que estaria por vir. Era assustadora a semelhança com a atuação conhecida das hordas fascistas e nazistas na Itália e Alemanha, e que contribuíram para consolidar pelo terror o poder de Mussolini e Hitler. O que se seguiu nestes dois países, na Europa, e em boa parte do mundo nas décadas de 30 e 40 do século 20, parecia, em 2018, fazer parte de uma História esquecida ou não aprendida por muitos. Foi formada uma Frente Democrática em prol do candidato trabalhista, mas, infelizmente, nem todos compreenderam, ou então preferiram ignorar, os riscos representados pela candidatura do capitão Olson.

Neste clima o país foi às urnas. Desde a véspera do pleito, tropas do exército ocuparam ostensivamente as ruas das principais cidades do país e, em prontidão, aguardaram pelo desenrolar do processo eleitoral. Não havia a menor chance para o opositor do capitão Olson vencer as eleições, fosse ele qual fosse.

As tropas dispersaram com eficácia, leia-se extrema violência, os protestos contra as eleições com cartas marcadas. Aquela noite e as seguintes ficaram eternizadas mundialmente como as ‘noites tropicais dos cristais’. Tratava-se de uma referência explícita à infame ‘noite dos cristais’ na Alemanha hitlerista, quando casas, lojas, escolas, sinagogas de judeus foram saqueadas, danificadas e incendiadas, com dezenas de mortos.

Noite dos Cristais, Berlim, 9 de Novembro de 1938

  De fato, com a confirmação da vitória do capitão, hordas fascistas realizaram ataques generalizados aos locais de encontro de homossexuais, centros de cultura e religião de origem africana, e sedes dos partidos de esquerda e mesmo de centro. Nem as tropas do exército nem a polícia intervieram no sentido de impedir o vandalismo e as agressões. Na televisão, nem uma imagem dos ataques foi exibida. No entanto, relatos do ocorrido se espalharam pela internet e na imprensa internacional, através dos correspondentes que vieram cobrir as eleições. Mesmo os jornalistas estrangeiros foram intimidados ao tentar documentar os ataques dos grupos fascistóides. A maioria teve a credencial tomada e foi obrigada a deixar o país imediatamente. Foi o começo do longo período de trevas.

Nas semanas que se seguiram, já não se via nas ruas manifestações de afeto entre pessoas do mesmo sexo. Clubes e locais tradicionais de encontro da comunidade LGBT fecharam, por questão de segurança, após o incêndio criminoso com muitas vítimas ocorrido em São Paulo, atribuído ao recém-formado e temido CCV, o comando de caça aos viados, que passou a atuar em sintonia com o CCC, o comando de caça aos comunistas, que, como um zumbi, ressuscitou dos anos de 1960. As mulheres também evitavam andar desacompanhadas, pois os casos de estupro aumentaram a níveis alarmantes.

Sindicalistas e ativistas que tentaram organizar os trabalhadores para resistir ao rolo compressor de mudanças introduzidas nas leis trabalhistas e na previdência social foram perseguidos, agredidos e presos. Com a maioria que obteve na Câmara e no Senado, a partir do apoio das bancadas constituídas pelo que havia de mais retrógrado no país, até mesmo a escravidão poderia ter voltado a ser legal, se uma proposta tivesse sido então encaminhada neste sentido. Mas um mínimo de aparências precisava ser mantido para o mundo. Em compensação, aprovaram facilmente a mudança na maioridade penal, reduzida para 12 anos de idade. Nos lares, o bicho-papão das histórias contadas para as crianças por suas mães foi substituído pelo ‘capetão’.

O desmatamento cresceu vertiginosamente, gerando em reação, uma campanha internacional das entidades internacionais de preservação da natureza, como WWF e Greepeace, que resultou em amplo boicote à carne brasileira e a produtos agrícolas, exceto quando a procedência fosse efetivamente comprovada como sendo de áreas não desmatadas. Os escritórios no país destas e outras entidades conservacionistas foram depredados e seus apoiadores agredidos. A esta altura o Brasil já havia se tornado um pária na comunidade internacional.

A liberação do porte de armas foi facilmente aprovada pelo Congresso, mas ao contrário do que fora preconizado pelo Capitão Olson durante a campanha eleitoral, a liberação não foi indiscriminada. O exército não viu com bons olhos o acesso generalizado a armas pela população, fosse pelo risco de fortalecer o poder de fogo dos traficantes, mas, também, para não possibilitar que a esquerda pudesse se armar. Falou mais alto a lembrança dos grupos armados que resistiram à tomada do poder pelos militares em 1964. Neste momento prevaleceu a hierarquia militar, o presidente-capitão tendo que aceitar a ordem de seu vice, o general Brandão, apoiado por todo o estado-maior do Exército e das demais Forças.

Foi liberada a venda para os grandes proprietários no campo, o que levou ao acirramento dos conflitos contra os movimentos dos trabalhadores sem terra, enquanto que, nas cidades, apenas os grupos fascistas receberam armas, com a justificativa de que atuariam na defesa do cidadão, contra os ataques de meliantes. Porretes e socos-ingleses foram deixados de lado e substituídos por armas de fogo, levando à formação dos grupos de paramilitares uniformizados, os ‘Paras’, que atacavam aos gritos de ‘Brasil acima de tudo’, slogan da campanha eleitoral do capitão Olson. Uma visão que remetia à SA nazista, a milícia chefiada por Ernst Rohm, capitão do exército alemão. ‘Deutschland uber alles, Alemanha acima de tudo’, foi a trilha sonora do nazismo.

Paramilitar da SA

Os políticos que poderiam ter aderido à frente antifascista quando da eleição presidencial, mas que preferiram optar por uma cômoda ou cúmplice “neutralidade”, se deram conta, tardiamente, do terrível engano que haviam cometido. Depois, tomados pelo medo, já não ousaram se manifestar. Alguns bolsões no judiciário tentaram, sem sucesso, resistir à avalanche do fascismo. Para melhor controlar o STF, o presidente fez o que já havia avisado que faria durante a campanha, ou seja, aumentar o número de vagas de ministros do Supremo, de forma que os indicados fossem pessoas de sua inteira confiança, assim obtendo o total controle das votações. Num último gesto de independência, antes que os novos ministros tomassem posse, o plenário do STF, em histórica votação por 6 a 5, concedeu habeas corpus ao velho e principal líder trabalhista que se encontrava preso há mais de um ano, ainda sem culpa comprovada. Foi também restaurada a presunção de inocência, o que seria revertido como primeiro ato após a posse dos novos Ministros, bem como suspensos todos os habeas corpus. Mas o intervalo de tempo fora suficiente para o líder trabalhista, já com a saúde debilitada, sair discretamente da prisão e procurar proteção na Nunciatura Apostólica. Lideranças políticas e sindicais que haviam recebido ameaças de morte, também optaram por pedir abrigo em embaixadas ou se esconder no interior do país. Alguns deixaram o país pelo Sul, antes do fechamento da fronteira.

Na grande imprensa, os jornalistas independentes foram demitidos para evitar o corte no financiamento proporcionado pelos anúncios publicitários pagos pelo governo. Este foi o caso ocorrido com o respeitado jornalista Juno de Freitas, da Folha do Brasil. Os blogues de oposição ainda conseguiram resistir por alguns meses, mas foram silenciados praticamente sem o uso da violência física, e sim, pela conivência do judiciário na aplicação de vultuosas multas, com o pretexto de indenizações por danos morais a qualquer um que fosse chamado de fascista ou de pertencer a extrema-direita. Em seguida veio o controle quase total da internet, usando a técnica adotada na China, conhecida como o ‘Grande Firewall’, aprofundando ainda mais o país na escuridão. Neste clima se deram as eleições para os governos locais, com resultados amplamente favoráveis ao governo.

A esta altura o setor de turismo já estava fortemente abalado com a drástica diminuição da vinda de turistas internacionais, gerando ociosidade na rede hoteleira, e afetando o comércio em geral. Por outro lado, turistas brasileiros eram hostilizados no exterior, caso manifestassem qualquer simpatia pelo governo fascista ou ostentassem riqueza. O Brasil passou a ser repetidamente criticado nos foros internacionais de direitos humanos, e só não era condenado no Conselho de Segurança da ONU, graças à intervenção dos Estados Unidos.

As Forças Armadas investiram pesado no rearmamento e no treinamento das tropas, e para tanto contaram com a ajuda de Israel. Foi a retribuição ao governo brasileiro pelo reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado Judaico. Os Estados Unidos, embora tivessem visto com bons olhos a ascensão do governo de extrema direita no Brasil, hesitaram, naquele momento, em contribuir efetivamente para fortalecê-lo militarmente, por receio da repetição da experiência anterior com o Iraque de Sadam Hussein, que adotara política expansionista própria, em desobediência ao Império. Tudo bem, enquanto os militares do Brasil ficassem na linha, atuando primordialmente em defesa dos interesses norte-americanos.

Após anos de ressentimento pelas amarras que se seguiram à redemocratização da década de 80, as Forças Armadas finalmente se livraram da tutela civil, que tanto ressentimento lhes causara, e se sentiram novamente poderosas e em condições de exercitar seus músculos fora do território nacional. O trabalho sujo interno ficou por conta dos Paras, liberando as F.A.s para interferir na geopolítica do continente, atuando contra os países do bloco bolivariano. A Venezuela foi o primeiro alvo, como seria de se esperar. Em sessão tumultuada, em que parlamentares dos partidos de esquerda foram agredidos pelos seguranças do Congresso, foi aprovado o envio das tropas, mesmo sem o consentimento pleno dos países membros da OEA. De nada adiantaram os esforços da oposição em tentar impedir aprovação. Na verdade o Congresso só não fora fechado ainda porque a oposição não conseguia ser um obstáculo às ações do governo.

O treinamento para a invasão foi feito tendo como o “inimigo a dominar” os traficantes nos morros e de outras comunidades do Rio de Janeiro, cidade natal do presidente Jairo Olson. Após um trabalho inicial de logística, passou a ser utilizada a artilharia pesada. Prédios de apartamentos próximos foram ocupados e seus moradores desalojados, para permitir a instalação nos terraços de lançadores de obuses. Dos helicópteros foram também lançados projéteis. No entanto, a derrubada de dois helicópteros enfureceu o comandante militar da operação, que ordenou o uso dos esquadrões de caça A-1 da FAB, com bombas guiadas a laser. Este comandante não sabia, naquele momento, que seria futuramente submetido a julgamento em um tribunal internacional de crimes contra a humanidade.

A reação da Igreja Católica foi imediata. Se até então a atuação dos bispos havia sido principalmente no oferecimento de abrigo e esconderijo aos perseguidos pelo regime, em face da proporção das novas barbáries foi solicitada a intervenção do Papa, que o fez de forma enérgica, excomungando de imediato o tal comandante responsável pelo bombardeio, e deixando implícito que o mesmo poderia ser feito com outros líderes do governo seguidores da fé católica. Alguns grupos de Paras atacaram igrejas, mas o governo desta vez precisou atuar para contê-los, pois o agravamento da crise com a Igreja poderia atrapalhar nos planos de intervenção na Venezuela. O treinamento foi dado como concluído.

O governo Bolivariano, apesar de ter logrado infligir baixas aos invasores, não conseguiu resistir às mais numerosas e bem armadas tropas brasileiras, apoiadas na logística pela Colômbia. A entrada dos brasileiros em Caracas foi triunfal, saudados pelos direitistas tradicionalmente golpistas. Os combatentes venezuelanos se retiraram para as montanhas, para de lá organizar a resistência, enquanto as principais lideranças políticas formaram um governo de exílio na Bolívia. Em breve, a própria Bolívia estaria também sendo invadida. Dois anos após a chegada ao poder do fascismo no Brasil, a escuridão parecia se espalhar pela América do Sul, numa repetição dos tristes anos de chumbo que assolaram a América Latina nos anos 70.

Outra repercussão negativa no plano internacional foi a decisão tomada pela cúpula das Forças Armadas de denunciar, em 2020, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, existente desde 1968, ao qual o Brasil, por pressão norte-americana, aderira apenas em 1998. Não houve qualquer reação explícita do governo de direita dos Estados Unidos, mas a Argentina sentiu o baque, e convocou seu embaixador no Brasil para consultas.

Internamente, no entanto, a coesão em torno do governo começava a apresentar as primeiras rachaduras. Se inicialmente uma melhora em alguns setores da economia ajudou para manter uma base de apoio na população de média e alta renda, a diminuição drástica do turismo, o boicote internacional à carne e produtos agrícolas, e o aumento da pobreza com a política salarial draconiana causaram crescente insatisfação. A continuação dos atos de violência cometidos pelos Paras geraram críticas, mesmo que veladas, por setores que haviam ajudado a eleger o capitão. Contribuiu decisivamente para isto a intensa atuação da Igreja Católica, estando em rara sintonia, bispos conservadores, moderados e progressistas. Também os rabinos e líderes evangélicos moderados contribuíram para a progressiva reversão do apoio da população ao governo militarista.

O governo esperava conseguir reverter a perceptível queda em seu apoio obtendo vitórias expressivas no ‘front’ da guerra. Mas a linha de frente começou apresentar revezes. Isto decorreu do apoio de ‘brigadas internacionalistas’ aos resistentes venezuelanos e bolivianos. Não foi de Cuba que vieram os contingentes, o que seria visto como intolerável por parte do governo radical de direita dos Estados Unidos, sujeitando a ilha a uma severa retaliação. A ajuda veio da Confederação das Repúblicas da Inglaterra, Gales e Escócia, que fora constituída em 2021, através de uma sucessão encadeada de eventos épicos.

Com a vitória do Partido Trabalhista, sob a liderança de esquerda de Jeremy Corbyn, nas eleições gerais de 2019 do então Reino Unido, foi autorizada a realização de novo plebiscito na Escócia, que continuava a pleitear sua independência. Dessa vez, a BBC e a mídia não puderam intervir de forma parcial e indevida no processo, como fizeram anteriormente, pois, com a ascensão de Corbyn como primeiro-ministro e da esquerda autêntica do trabalhismo, a mídia fora democratizada como medida prioritária.

Expressiva maioria de votos levou à independência da Escócia após mais de 300 anos de submissão à Londres, sendo a monarquia abolida. O momento foi propício para que o partido nacionalista Plaid Cymru conseguisse a independência para Gales, com opção também pelo sistema republicano. Na Inglaterra, o sentimento antimonarquia sempre esteve presente ao longo dos anos, e só não prevalecia pelo poder da mídia em propagar a velha cantilena dos benefícios do regime monárquico e do culto fantasioso a reis e rainhas, príncipes e princesas. A ‘realeza ficou nua’ sem o apoio da mídia. O vírus republicano se espalhou da Escócia e Gales, e encontrou terreno fértil na Inglaterra para terminar com a mais longeva monarquia do mundo. As três repúblicas da ilha se uniram em uma confederação de iguais. E foi desta confederação, formada em 1921, que em nome do internacionalismo, veio o apoio aos resistentes da Venezuela e Bolívia. Os governos bolivarianos da Venezuela e da Bolívia eram certamente merecedores de críticas, sob vários aspectos, mas a intervenção estrangeira era inaceitável para os verdadeiros democratas.

Ao contrário das gloriosas jornadas das tropas brasileiras que lutaram contra o fascismo na Itália na Segunda Guerra Mundial, desta vez o Brasil estava como o vilão, defendendo a ampliação da dominação da extrema-direita pela América do Sul. O moral das tropas caiu vertiginosamente com os primeiros revezes e a percepção de que, desta vez, não eram elas os ‘mocinhos’. Daí para a recusa em cumprir ordens foi um passo. Seguiu-se um acordo de paz e o regresso das tropas ao Brasil. O acordo incluiu uma maior abertura democrática dos governos bolivarianos.

Da mesma forma que a volta dos ‘pracinhas’ que lutaram contra o fascismo na Itália desestabilizou o governo autoritário de Vargas, também o governo fascista e militarista do presidente Jairo Olson ficou sob pressão com o regresso dos combatentes. Eles que haviam mostrado seu valor e heroísmo em batalha, mas que haviam sido lubridiados pela propaganda fascista. As eleições de 2022 para a presidência da República e Congresso Nacional foram canceladas, pois não havia mais a certeza da vitória. Os protestos de rua começaram a se generalizar e as tropas, desta vez, ficaram nos quartéis, pois os setores legalistas e antifascistas no comando se recusaram a atacar a população.

Restava ao governo recorrer ao poder de fogo dos Paras para reverter sua debacle, e terminar com os protestos de rua que poderiam logo assumir proporções de uma revolta popular sem controle. Mas uma aliança inusitada e estratégica de ativistas e sindicalistas, que haviam buscado refúgio nos morros do Rio de Janeiro, com os traficantes que haviam ficado sujeitos às bombas e mísseis despejados, possibilitou o enfrentamento dos Paras no asfalto das ruas. Os covardes fugiram, e muitos preferiram se livrar das armas para não serem identificados. Em seguida ao Rio, os Paras foram dominados em outras metrópoles.

No começo de 2022 a cúpula do governo de Olson renunciou e deixou o país, com destino ainda ignorado. O mundo respirou aliviado com a derrota do fascismo no Brasil. Seguiu-se o retorno das lideranças que estavam no exílio e a formação de um governo de unidade nacional, com a liderança provisória do candidato trabalhista que concorrera às eleições presidenciais. Já o velho líder preferiu interferir o mínimo possível, para possibilitar a renovação do partido, com a ascensão de novas gerações, com novas idéias. O governo de unidade convocou uma Assembléia Constituinte para rever a legislação introduzida pelo governo fascista e avançar com a democracia. Os trabalhos vão começar na semana que vem e eu estou otimista sobre o futuro.

Hoje cedo estava lembrando daquele terrível dia de 2018, quando foi anunciado o resultado das eleições. Eu me sentia profundamente deprimido, pois não tinha dúvidas sobre o que estava por vir. Me deparei diversas vezes com vizinhos ou com conhecidos, que entusiasticamente celebravam o resultado. Pessoas que eu jamais esperaria que tivessem se deixado levar pelas mentiras e ilusões prometidas, ou que talvez já possuíssem na alma o germe do fascismo. Preferi, na época, nem procurar saber quem, na minha família, aderira, pois temia sofrer uma forte decepção.