Vazamento de manipulação do relatório de armas químicas na Síria abala a credibilidade da OPAQ

O relatório final da OPAQ, a Organização para Proibição de Armas Químicas, foi manipulado para criar indícios do envolvimento do governo de Bashar al Assad no uso de armas químicas na cidade de Douma, em 7 de abril de 2018. A manobra foi exposta com o vazamento recente de um relatório interno elaborado pelo grupo técnico de engenheiros, que concluiu que os dois cilindros encontrados em locais bombardeados por tropas do governo Sírio, foram provavelmente colocados manualmente nestes locais, e não atirados de helicópteros, como induziu o relatório oficial. A revelação da completa omissão do parecer técnico do grupo de engenheiros pode comprometer irremediavelmente a credibilidade da OPAQ. A grande mídia mantém completo silêncio sobre o assunto. Por Ruben Rosenthal

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Centro de pesquisas sírio  atacado pela OTAN     foto Reuters

Há cerca de um ano imagens que pareciam vir de um filme de terror foram amplamente mostradas nos telejornais. Conforme as tropas sírias fechavam o cerco à cidade de Douma, leste de Damasco, cenas de civis espumando pela boca e aparentemente sufocando até a morte pela suposta inalação de um gás letal, adentraram os lares em todo o mundo. Mesmo antes de qualquer confirmação de responsabilidade do governo sírio, mísseis cruise dos Estados Unidos, com apoio do Reino Unido e da França, foram lançados contra a Síria.

Uma missão de investigação da OPAQ foi enviada a Douma em 21 de abril. O relatório provisório, publicado em 6 de julho, indicou que não haviam sido detectados sinais do uso de agentes organofosfóricos (gás sarin). Relata, no entanto, que foram observados, “além dos resíduos de explosivos, a presença de vários compostos químicos clorados nos dois locais”. Após nove meses, em 1 de março de 2019, foi emitido o relatório final.

O documento relata que foram consideradas declarações de testemunhas e análises biomédicas de amostras. Acrescenta ainda que especialistas em engenharia mecânica, balística e metalurgia, fazendo uso de técnicas especializadas de modelagem computacional, concluíram que os danos observados no prédio e nos cilindros eram compatíveis com a proposição de que os cilindros contendo o agente tóxico atravessaram o concreto do terraço, para, então, por impacto, atingir o piso dos prédios. Ficou implícito que, para causar tais danos, os cilindros precisariam ter sido arremessados de uma aeronave. A conclusão incluiu que “existe fundamento razoável de que foi usado um agente químico tóxico como arma, e que este agente continha cloro reativo, tratando-se provavelmente cloro molecular”. O relatório ressaltou que não foi possível se determinar a responsabilidade pelo uso do cloro como arma química.

O relatório de mais de 100 páginas, acrescido de uma versão simplificada para a imprensa, foi suficiente para se difundirem acusações na mídia de que havia evidências do envolvimento do governo sírio no uso de armas químicas, ao jogar cilindros contendo cloro de helicópteros. A Rússia, aliada de Bashar al Assad na luta contra a oposição armada e os Jihadistas, foi também vilanizada na mídia ocidental. No entanto, uma surpreendente reviravolta no caso surgiu nos últimos dias, com a divulgação do documento “Avaliação de Engenharia dos dois cilindros observados no incidente em Douma-Sumário Executivo”, com a chancela “Não Classificado- Sensível OPAQ – Não Circule” .

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Cilindro de gás – peça-chave do relatório de Ian Henderson

O relatório é assinado por Ian Henderson, provável chefe do sub-grupo de engenheiros da missão de investigação da OPAQ. O responsável pelo vazamento é ainda desconhecido. Este vazamento foi divulgado separadamente por Peter Hitchens, no Mail on Sunday, e Robert Fisk, no Independent, e repercutido no blogue de Craig Murray, que acrescentou ainda comentários sobre possíveis precedentes de desvio de conduta pela OPAQ. O atual artigo foi escrito com base nos textos publicados por estes três autores. A conclusão que se pode tirar da leitura do relatório vazado é de que a OPAQ teria deliberadamente omitido do relatório final, o relatório elaborado por um grupo técnico de engenheiros da própria entidade, em que era contestada, por sua improbabilidade técnica, a teoria de que cilindros contendo gás cloro teriam sido atirados de helicópteros. Este era o principal fundamento em que se apoiava a acusação ao governo sírio de ter feito uso de armas químicas no incidente.

No relatório assinado por Henderson, consta que o sub-grupo de engenheiros chegara a conclusão de que “as dimensões, características, a aparência e o estado dos cilindros e do cenário no local  dos (dois) incidentes são inconsistentes com o que se esperaria no caso do cilindro ter sido atirado de uma aeronave”. O relatório do sub-grupo de engenheiros não se trata, no entanto, de uma posição majoritária na OPAQ, mas, por ser  completamente omitida a existência de uma opinião técnica divergente, questionamentos sobre a lisura do comportamento e da própria integridade da Organização são inevitáveis.

Robert Fisk relata que chegou em Douma poucos dias após o ataque. Ele menciona que, na ocasião, não discartara de início a possibilidade de gás ter sido usado, mas testemunhas oculares e o próprio chefe do hospital declararam a ele que não sabiam nada sobre o uso de gás. Um médico insistiu que os pacientes estavam sofrendo de hipoxia, pela inalação de poeira e detritos causados pelos bombardeios. E que pânico fora gerado entre as vítimas quando um dos White Helmets (Capacetes Brancos) gritou que havia gás (tóxico) no ambiente. Trata-se de uma organização conhecida oficialmente como Defesa Civil da Síria, que opera em partes do país controladas por rebeldes, com financiamento vindo de governos do Ocidente, principalmente do Reino Unido. Sua vinculação com Jihadistas não se coaduna, no entanto, com a tentativa de se legitimar como uma organização de direitos humanos.

Ainda sobre a questão dos cilindros que supostamente conteriam o gás cloro que vitimou a população civil, como a divulgação de um filme mostrando os cilindros, já nas posições onde foram posteriormente encontrados, havia sido anterior à entrada de sírios e russos em Douma,  fica fortalecida a teoria de que opositores de Assad possam ter sido os responsáveis pela colocação dos mesmos naqueles locais, como parte de um engodo para culpar o governo sírio, argumenta Robert Fisk.

Questionada por Hitchens, a OPAQ foi evasiva sobre o conteúdo do relatório vazado, afirmando seguir metodologias e práticas estabelecidas, para garantir a integridade dos resultados expressos no relatório final assinado por seu Diretor Geral.  Indiretamente, a Organização reconheceu, na nota de resposta, que Henderson faz parte de sua equipe, ao se negar “fornecer informações sobre seus membros ou do Secretariado Técnico”. Por fim, declara que está “conduzindo uma investigação interna sobre a divulgação não autorizada do documento em questão”, ou seja, reconhece a autenticidade do relatório assinado por Henderson. Acrescenta ainda que a instituição “não está disponível para prestar mais informações públicas ou conceder entrevistas sobre o tema”.

Robert Fisk salienta que, embora pouco crédito deva ser concedido a ditadores, a atitude da OPAQ forneceu enormes possibilidades de propaganda para o regime de Assad e para os russos. Acrescenta ainda que o canal de notícias RT, antigo Russia Today, está regalando seus expectadores com histórias de como as potências da OTAN controlam politicamente a OPAQ, realmente um lamentável retrocesso na luta contra o uso de as armas químicas no mundo. Novas acusações partiram de Trump, do uso de armas químicas pela Síria em 19 de maio, com ameaças de retaliação pelos Estados Unidos. Fica agora a dúvida sobre a neutralidade e credibilidade da OPAQ para investigar estas novas denúncias.

O nome de Ian Henderson deve ser celebrado como um herói dos novos tempos, juntando-se a Assange, Chelsea Mannings e Edward Snowden, dentre outros, por seu inabalável compromisso com a verdade, ao preparar e manter seu relatório, mesmo que provavelmente estivesse então submetido à imensa pressão de seus superiores. Caso não tenha partido dele o vazamento, que este outro herói consiga permanecer oculto. Mas todos eles estão cientes de que pode haver um preço a pagar pela integridade moral. E vários deles já estão pagando.

 

 

Netanyahu, Trump e Putin: uma História de Amor

Tradução informal e comentada, do artigo publicado em 8 de abril no Al Jazeera, de autoria do analista sênior, Marwan Bishara. Ruben Rosenthal

Com os resultados finais da eleição para o parlamento de Israel indicando que o partido do atual primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu conseguiu 36 dos 120 assentos, tudo indica que ele será o líder do governo de coalizão da direita. Será seu quinto mandato, caso os problemas de corrupção não o impeçam de assumir. Com ele no poder, pode-se prever que em breve virá a anexação de parte da Cisjordânia. Odiado por muitos, por sua responsabilidade no sofrimento e nas mortes de milhares de palestinos desde que assumiu o governo em 2009, Bibi é reconhecidamente um magistral enxadrista em geopolítica. Marwan Bishara nos explica como atua o polêmico político.

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Podem chamar Netanyahu de trapaceiro e belicista, mas que outro líder pode se gabar de ter conseguido se reunir com Trump e com Putin no prazo tão curto de duas semanas antecedendo eleições gerais. A motivação imediata desta diplomacia foi certamente o ganho eleitoral, mas as implicações estratégicas de sua vitória podem resultar na reconfiguração do Oriente Médio. Breve deverá vir a anexação de partes da Cisjordânia, prometida na campanha eleitoral. E novamente Trump deverá dar seu apoio, e Putin, emprestar seu silêncio. Como isto foi possível?

Netanyahu aproveitou sua ida, em setembro de 2016, à reunião de cúpula anual das Nações Unidas em Nova Iorque, para um primeiro encontro, na Trump Tower, com o então candidato presidencial republicano. Segundo Steve Bannon, então conselheiro de Trump, o novato na política recebeu uma aula do mestre de xadrez da geopolítica mundial, particularmente sobre a importância das relações entre os Estados Unidos e Israel, face às realidades do Oriente Médio.

Netanyahu contribuiu para que Trump pudesse colocar de forma racional seus instintos sobre segurança, imigração, terrorismo, Islã, e mesmo as vantagens de um muro na fronteira (idéia que Trump deve ter aproveitado como sua ‘solução’ para a imigração através da fronteira com o México, N.T.). Mas a grande jogada de Netanyahu foi fazer o foco da conversa convergir para uma fórmula simples: ‘o Irã, e não a Rússia, é o principal inimigo’ de ambos, e que o presidente russo tem uma posição privilegiada na ajuda contra os aiatolás e o Islã radical.  Isto soou como música aos ouvidos de Trump, pois ele já vinha cortejando Putin, para horror de seus detratores em casa e na Europa. Graças a Netanyahu, Trump pôde se municiar de uma doutrina estratégica que envolvia forjar novas alianças e parcerias com lideranças fortes.

A nível pessoal, foi uma aliança tranquila de se estabelecer. Benjamin, Donald e Vladimir realmente pareciam se gostar. Com passados e estilos distintos, eles, no entanto, tem um mesmo perfil. Homens brancos, já de certa idade, adotando estereótipos do macho, nacionalistas1 com um traço de malignidade, os três são personalidades que polarizam. São vistos como enganadores, com um ‘jeitinho’ para agir com impunidade. Não gostam da liberdade de imprensa e de um judiciário independente e ativo.

O principal inimigo em comum do trio é nenhum outro que o ex-presidente americano Barack Obama, e tudo o que ele representava, seja o multiculturalismo, os ideais liberais e uma política externa liberal. Assim que assumiu a presidência, Trump começou a destruir o que Obama construiu no país e no exterior, sem se importar em violar leis e acordos internacionais, saudado por seus dois camaradas e por um número crescente de fãs pelo mundo. Ele deixou o Acordo de Paris e o acordo nuclear com o Irã, além de dar seu apoio incondicional aos mais repressivos regimes no Oriente Médio, dentre outros.  

O trio atraiu e inspirou uma nova cepa de líderes agressivos hiper-nacionalistas1 que veneram o poder, como Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, Abdel Fattah el-Sisi, do Egito, Viktor Orbán2 , da Hungria e Jair Bolsonaro, do Brasil.  Trump e Putin podem ser os líderes do grupo, mas foi Netanyahu,  o entusiástico apoiador desta nova leva de governantes (Haaretz), mostrando sua afinidade com os mesmos, contrariamente ao que se esperaria do líder de uma nação fundada por vítimas de perseguição étnica. 

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Netanyahu e o húngaro Viktor Órban

Os três líderes procuraram substituir o pensamento progressista e o liberalismo pela plutocracia. Mas se o namoro3 dos três foi bem sucedido em gerar uma tendência mundial pelo populismo, por outro lado, não conseguiu produzir relações mais próximas e amigáveis entre os governos russo e norte-americano. Nem Trump nem Netanyahu conseguiram convencer o establishment da política externa americana a abraçar Putin, nem mesmo como forma de conter o Irã. Este país é visto como um ator de nível regional a ser combatido, mas Democratas e Republicanos consideram a Rússia como um perigoso inimigo global.  Isto porque a Rússia de Putin conseguiu retornar ao cenário da geopolítica internacional como um importante participante independente, em geral adversário dos Estados Unidos. Isto se tornou evidente com a intervenção na Ucrânia e na Síria, bem como no envio de tropas para a Venezuela, um desafio direto a Washington no Hemisfério Ocidental.

Esta é a tragédia da política do poder. Embora Trump e Putin pensem de forma semelhante, eles continuarão a competir em um mundo anárquico, mesmo com o risco de guerra. Seus países estão de lados opostos em quase tudo, incluindo guerra cibernética, proliferação nuclear, segurança regional na Europa e Oriente Médio, e, naturalmente, na questão da interferência russa nas eleições americanas. Mas eles concordam sobre Israel, ou pelo menos Putin e Trump concordam, e ambos simpatizam com Netanyahu.

Trump and Putin tiveram uma reunião de cúpula (em Helsinki, julho de 2018, N.T.), que terminou em relativo fracasso4 , além de quatro encontros curtos. Netanyahu teve cinco bem sucedidas reuniões com Trump em dois anos, e treze bem sucedidas reuniões com Putin em quatro anos. O primeiro-ministro persistiu em cultivar relações próximas com Putin, porque a Rússia é a única potência que tem diálogo aberto com cada um dos atores principais no Oriente médio, incluindo o Hamas e o Hezbollah, e mesmo com rivais regionais, como Irã e Arábia Saudita, além de Turquia e Egito.

Netanyahu soube explorar o interesse da Rússia de que Washington voltasse a reconhecer seu status de superpotência e suas áreas de influência, fazendo uso de sua relação especial com Trump, para com isto conseguir concessões de Putin, começando pela Síria. Parecendo rapidamente esquecer do papel de Israel no episódio da derrubada de um avião militar russo com morte de 15 oficiais, Putin concordou em estabelecer um grupo de trabalho com Israel visando a remoção de todas as forças estrangeiras da Síria. O presidente russo também aceitou as constantes violações do espaço aéreo da Síria por Israel e o bombardeamento de alvos iranianos lá.  O Kremlin ainda propôs a Netanyahu que ele mediasse um acordo entre Estados Unidos, Síria e Irã, para a retirada completa de tropas, mas como tal acordo levaria ao fim das sanções contra o Irã, Netanyahu se recusou.

Em algumas ocasiões, a atuação diplomática de Netanyahu se aproximou de um jogo de pôquer, mas que conseguiu obter de Trump o reconhecimento da anexação das Colinas de Golã por Israel, em desrespeito à legislação internacional e à política tradicional do país. Aparentemente, Putin não fez nada e deixou esta questão passar em branco quando se reuniu com Netanyahu.

Se para obter a adesão de Putin um flerte prévio foi necessário, Netanyahu não poderia ter sonhado em melhor parceiro na Casa Branca que Trump. Este abraçou completamente as posições de Israel no Irã, e a ocupação de Jerusalém5 e das Colinas de Golã. Em breve deverá vir a anexação de parte da Cisjordânia, conforme promessa de Netanyahu caso ganhasse as eleições. E novamente Trump deverá dar seu apoio e Putin emprestar seu silêncio. Desta forma o primeiro-ministro de Israel vem conseguindo redefinir as fronteiras e as alianças no Oriente Médio.

Notas do Tradutor

Pequenas modificações foram introduzidas no artigo, sejam explicativas (indicadas por N.T.), ou como forma de tentar agilizar à leitura de um texto longo, incluindo a supressão de algumas partes, sem com isto afetar as opiniões expressas pelo autor. O tradutor apresenta a seguir alguns comentários adicionais, observando-se a correspondência no texto com a numeração sobrescrita. 

  1.  O termo ‘nacionalismo’ pode ter conotações diferentes, dependendo do período e do país. As idéias nacionalistas já estiveram associadas  com teorias racistas no século XX, como na Alemanha (nacional-socialismo), na Itália (fascismo) e no Japão. No artigo, Marwan Bishara se refere a este nacionalismo que, ao exaltar de forma exacerbada os valores da pátria, se afasta do internacionalismo, entendido como uma política de cooperação entre as nações, podendo com isso levar ao xenofobismo.  Após a II Guerra Mundial, o nacionalismo que se manifesta em países do Terceiro Mundo está principalmente relacionado com a luta contra todas as formas neocolonialistas de exploração, embora a exaltação da pátria estava presente no Brasil do ‘ame-o ou deixe-o’, na época da ditadura militar, e reaparece no governo Bolsonaro, por exemplo, quando se exige dos alunos nas escolas públicas e privadas que cantem o hino nacional, ou se afastando da integração regional ao diminuir a prioridade do Mercosul. 
  2. O presidente da Hungria, Viktor Orbán, apoiado entusiasticamente por Netanyahu, é um político da extrema-direita, que defende e representa posições próximas às dos nazistas. Órban se omitiu quanto ao crescimento do antissemitismo no país, e até deu sua contribuição, com as críticas feitas a judeus proeminentes, além das declarações  xenófobas e racistas de seu partido  a refugiados.  
  3. Na tradução foi utilizado o termo ‘namoro’, para definir o relacionamento de Netanyahu com Putin e Trump, em substituição a ‘bromance’, expressão da língua inglesa que une as palavras brother e romance, para expressar  um relacionamento íntimo, não-sexual, entre dois (ou mais) homens.  
  4. Bishara não enumera que objetivos poderiam ter sido alcançados na cimeira de Helsinki para ela haver terminado em ‘relativo fracasso’.  Benjamim Netanyahu saudou as relações de Israel com a Rússia e Estados Unidos, após Trump e Putin declararem no encontro que a segurança do Estado Judaico fora discutida pelos dois presidentes. Do ponto de vista de Israel, as reuniões aparentemente trouxeram bons resultados. Vale lembrar ainda, que foi na cimeira de Helsinki que Trump criticou a comunidade de inteligência norte-americana (CNN), por esta afirmar que a Rússia havia intervindo nas eleição de 2016 que o conduzira à presidência. À esta declaração de Trump apoiando abertamente a Putin, líder de uma nação adversária, seguiu-se intenso bombardeio de críticas da mídia e do Partido Democrata, de Hillary Clinton. Ao final do encontro, ambos os líderes consideraram que a reunião fora ‘bem sucedida’, talvez por ter contribuído para cimentar as relações pessoais entre os dois.
  5. Na questão do expansionismo sionista, o relacionamento pessoal do presidente norte-americano com o líder israelense não deve ter sido decisivo no reconhecimento por Trump, da anexação de Jerusalém por Israel. Tal posicionamento decorreu principalmente das pressões dos evangélicos fundamentalistas (GGN), e do interesse de Trump  nos ganhos eleitorais que poderia obter com o apoio do  lobby evangélico.