A longa marcha da China rumo à liderança econômica: Nova Rota da Seda

Investimentos chineses em infraestrutura abrangendo dezenas de países trouxeram acusações de que o mega projeto representaria um cavalo de Tróia visando a dominação política e expansão militar da China.

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A Nova Rota da Seda \ Arte: The Guardian

Seguindo-se ao artigo sobre o Made in China 2025, a série “A longa marcha da China rumo à liderança econômica” aborda o programa extremamente ambicioso, através do qual o país pretende estimular o crescimento econômico de diversas nações da Ásia e de outros continentes, além de incentivar o comércio regional. Isto seria alcançado através de projetos em infraestrutura, em grande parte voltados para aumentar a conectividade entre os países participantes. 

Como era de se esperar, os Estados Unidos e a mídia corporativa do Ocidente não pouparam críticas aos chineses. No entanto, em alguns dos países que se beneficiaram dos investimentos, a população local mostrou descontentamento com os termos dos acordos acertados com os chineses. Para superar as desconfianças e ser bem sucedido, o presidente Xi Jinping precisará aceitar as críticas que forem procedentes, e renegociar os acordos em outras bases com seus parceiros.

A Rota da Seda original. Durante a dinastia Han (206BCE-220CE), a expansão do comércio da China para além da fronteira ocidental se estendeu a países da Ásia Central, como Afeganistão, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, bem como, mais ao sul, às regiões onde atualmente estão Índia e Paquistão e, fora do continente asiático, alcançando a Europa.

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A antiga Rota da Seda \ Arte: domínio público

A Rota da Seda trouxe a interação de diferentes culturas e religiões, e um intenso comércio. Os chineses tinham a oferecer seda, temperos, jade e outras mercadorias, e recebiam metais preciosos, marfim e produtos de vidro. O advento das Cruzadas e os avanços dos mongóis na Ásia prejudicaram a malha de comércio, e até hoje os países da Ásia Central estão isolados economicamente entre si.

O retorno da China ao protagonismo econômico na Ásia. Quando a economia da China começou a crescer rapidamente nos anos 80 e 90, os países da ASEAN, a Associação de Nações do Sudeste da Ásia, passaram a ver os chineses como competidores.  Segundo Christopher Johnson, analista do Center for Strategic and International Studies (CSIS1, na sigla em inglês), possivelmente o think tank mais influente nos Estados Unidos, as desconfianças só se amainaram quando da crise financeira na Ásia em 1997.

Ao não desvalorizar de forma competitiva o yuan,  a China contribuiu para não agravar a crise e, ao mesmo tempo, passou a ser vista como um “poder econômico responsável e estabilizador”. Em 2002 foi assinado o acordo inicial de uma zona de livre comércio China-ASEAN. Durante a crise global de 2008-09, a China desempenhou novamente um papel estabilizador na região. Entretanto, este prestígio adquirido pelos chineses causou alarme em Washington.

Documento do Congresso norte-americano de janeiro de 2008 expressou preocupação com a extensão do “soft power” que a China passou a exercer no sudeste da Ásia, isto bem antes de Xi Jinping chegar ao poder e assumir a relevância atual. O documento mostrou realismo: “Ao trabalhar de forma colaborativa com países e organizações regionais em tópicos como disputas regionais e comércio, a China dissipou em grande parte os temores de uma ameaça militar ou econômica. O engajamento diplomático da China ganhou respeito na região, e contrasta com a percepção da pouca atenção concedida pelos Estados Unidos. Muitos analistas argumentam que a crescente influência da China poderá vir às custas do poder e influência dos EUA na região”.

Na década seguinte, um novo fator pode ter levado a China a assumir uma posição ainda mais assertiva na Ásia. Em outubro de 2011 a belicista Hillary Clinton, então secretária de estado de Barack Obama, defendeu um reposicionamento da política externa norte-americana em função da retirada de tropas do Afeganistão. Segundo a secretária de estado, a região Ásia-Pacífico deveria se tornar “alvo prioritário das ações diplomáticas, estratégicas e de investimentos do país”.

No centro da nova estratégia de Washington de um “pivô para a Ásia” estava a Parceria Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês), prevista para se tornar o maior acordo de livre comércio no mundo, cobrindo cerca de 40 por cento da economia global. A Nova Rota da Seda representou uma reação da China à mudança de foco da política externa dos Estados Unidos proposta por Clinton.

No entantoTrump se retirou da Parceria no seu primeiro dia no cargo, em 2 de janeiro de 2017, antes mesmo da ratificação no Congresso. Muitos no movimento sindical estadunidense também se opunham ao TPP, com a alegação de que os acordos comerciais prejudicariam os salários e condições de trabalho. As restantes onze nações assinaram o acordo, que passou a vigorar em dezembro de 2018, com alterações em cláusulas que constavam para beneficiar principalmente aos Estados Unidos. O afastamento dos norte-americanos pode ter aberto a oportunidade para a China melhor implementar o seu projeto da Rota da Seda.

A Nova Rota da Seda. Com a ascensão de Xi Jinping à presidência em 2013 iniciou-se a fase do “grande rejuvenescimento da nação Chinesa”, com a modernização da indústria do país através do Made in China 2025, e de uma maior influência externa. Foi alterado o enfoque que prevalecia desde o governo de Den Xiaoping na década de 70, da China manter um perfil discreto na diplomacia internacional.

Para Christopher Johnson, do CSIS, Xi Jinping está determinado a restaurar a posição histórica da China no centro da economia, política e cultura da Ásia. Xi quer aproveitar o que ele identificou como um “período de oportunidade estratégica”, na qual um ambiente benigno de segurança externa permitiria o foco no desenvolvimento interno e em uma política de resultados “mutuamente benéficos” nas parcerias econômicas. Esta janela de oportunidade iria até 2020 (coincidentemente o final do primeiro mandato de Donald Trump).

O nome oficial da iniciativa em chinês é yi dai yi lu, ou “Um Cinturão, Uma Rota”. BRI ou OBOR são as siglas em inglês para o Belt and Road Iniciative. O projeto é composto de duas vertentes, o Cinturão Econômico da Rota da Seda (parte terrestre) e a Rota da Seda Marítima do Século 21. Segundo relato no The Guardian, o lançamento original foi em 2013, mas pouco aconteceu nos quatro primeiros anos.

Em maio de 2017, líderes de 28 países compareceram a Pequim para o relançamento da iniciativa que ajudaria a dar início a uma “nova era de globalização” puxada pela China, em um momento em que os Estados Unidos se encontravam afastados dos compromissos externos seguindo o lema de Trump, “América Primeiro”.

Ainda segundo o periódico britânico, o plano deve criar novos mercados para os produtos chineses, e ajudar na exportação da capacidade excessiva da produção de aço e cimento. As economias de regiões chinesas da fronteira ocidental, menos desenvolvidas, deverão ser beneficiadas com o aumento dos laços comerciais com países vizinhos. A expectativa é que o desenvolvimento de regiões como a província de Xinjiang, de maioria muçulmana, contribua para relaxar as tensões étnicas.

Segundo o CFR1, Council on Foreign Relations, importante think tank norte-americano, a visão do presidente Xi Jinping é de criar uma vasta rede de ferrovias, dutos de combustíveis, rodovias e facilitação da movimentação nas fronteiras, com o objetivo de romper o “gargalo da conectividade”. A rede se estenderia tanto na direção oeste, através das montanhosas ex-repúblicas soviéticas, como também ao sul, chegando ao Paquistão e Índia, e ao sudeste asiático.

Tal rede iria expandir o uso internacional na moeda chinesa, o renminbi (yuan). A China planeja construir cinco zonas econômicas especiais, segundo os moldes da Zona de Shenzhen, lançada em 1980 como parte das reformas econômicas ocorridas durante a liderança de Deng Xiaoping.

Cerca de 71 países, contabilizando mais da metade da população mundial e um quarto do PIB, assinaram ou indicaram interesse em participar da Iniciativa. A China planeja investimentos anuais de  150 bilhões de dólares  no fomento aos projetos, podendo chegar a totalizar 1,3 trilhões até 2027, segundo estimativas do banco de investimentos Morgan Stanley. 

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Mapa mostra em azul claro os países que aderiram à Iniciativa Cinturão e Rota \ Fonte: CSIS Burke Chair

Dentre os projetos incluem-se um porto no Sri Lanka, um trem de alta velocidade na Indonésia e um parque industrial do Cambodja. O maior projeto atual é o do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC, na sigla em inglês), com custo estimado em mais de 60 bilhões de dólares. O CPEC inclui uma série de projetos conectando a China ao Porto de Gwadar. 

As críticas da mídia e de analistas políticos. Em outro artigo no The Guardian é relatado que participantes dos projetos reclamam que os contratos para construção ficam principalmente para empresas chinesas, deixando de fora as locais. Além disto, os altos custos envolvidos nas obras levaram ao endividamento de vários países, que teriam dificuldades em repor os empréstimos. O artigo alerta que a diplomacia da “armadilha da dívida” poderia ser usada pelos chineses para obter concessões territoriais. É relatado que a China teria cancelado uma dívida do Tajiquistão, em troca de 1.158 quilômetros quadrados de território em litígio.

Jonathan Hillman, outro analista do CSIS, avalia que a infraestrutura de portos e de transporte de carga poderia ser também utilizada para o transporte de tropas. Por outro lado, o analista considera que os Estados Unidos poderão se aproveitar futuramente de infraestruturas bancadas pela China. Ainda segundo Hillman, através do Cinturão e Rota a China poderá ditar novas regras e estabelecer instituições que atendam aos interesses chineses.

No entanto, segundo o artigo no The Guardian, as autoridades chinesas anunciaram que as Cortes internacionais que irão resolver eventuais questões comerciais relacionadas com o Cinturão e Rota, deverão seguir os moldes das Cortes do Centro Financeiro Internacional de Dubai e da Corte Internacional de Comércio de Singapura. Isto deveria, em princípio,  amenizar parte das críticas levantadas por Hillman e alguns analistas.

Ao contrário da visão de seu colega Hillman, Christopher Johnson ressalta em seu relatório do CSIS que a China até o momento parece mais interessada em expandir e alavancar seus interesses econômicos, do que estabelecer vínculos e parcerias militares diretas. A China aumentou sua participação na força de paz da ONU, mas não demonstrou intenção de seguir os exemplos russo e norte-americano de ações militares fora da esfera de influência imediata, avalia ele.

Ainda segundo Johnson, Xi Jinping considera a China por já ser uma grande potência pode agir como tal, através de sua capacidade de persuasão e de influência internacional, mesmo que através de “soft diplomacy”. Ao contribuir para uma maior influência de Pequim, a Iniciativa Cinturão e Rota tem certamente uma conotação geopolítica, mas “o componente geoestratégico não deveria ser superdimensionado pelo Ocidente”.  Apesar de um posicionamento mais assertivo em relação ao Mar do Sul da China, a China não estava atuando de forma revisionista e disruptiva da estrutura regional e global, complementa Johnson.

Outro analista do CSIS, Anthony Cordesman, publicou relatório  de outubro de 2019, intitulado “China e Estados Unidos: Cooperação, Competição, e/ou Conflito”,  em que apresentou uma coletânea de documentos oficiais dos Estados Unidos e da China. O relatório procura demonstrar a crescente capacidade da China em alcançar paridade e competir com os EUA e outras potências, em termos civis e militares. Esta condição já teria sido atingida na Ásia, segundo o analista. Em julho de 2020 Cordesman publicou outro relatório, em que classifica a Iniciativa Cinturão e Rota como parte da guerra híbrida que a China promove contra os Estados Unidos, “por avançar os interesses chineses em detrimento dos norte-americanos”. 

O posicionamento do governo Trump. A administração Trump tentou se opor ao avanço da influência chinesa através da criação da U.S. International Development  Finance Corporation (DFCem janeiro de 2020, substituindo a Overseas  Private Investment Corporation (OPIC), uma instituição que durante quase 50 anos esteve envolvida no apoio a projetos de infraestrutura em diversos países. A nova instituição federal teria mais autonomia, e trabalharia em coordenação com a USAID, a Agência para Desenvolvimento Internacional. O capital necessário para os investimentos em projetos no exterior viria principalmente do setor privado, que assumiria os riscos.

Por outro lado, os Estados Unidos, através de uma estratégia para a região do Indo-Pacífico, estão investido também em acordos bilaterais que envolvem os setores de segurança e de logística militar de tropas norte-americanas e de segurança interna em países da Ásia. Aí se inclui a defesa contra “atividades cibernéticas maliciosas por parte da Coréia, China e Rússia”.

Um documento da Casa Branca datado de maio de 2020, intitulado “Enfoque Estratégico dos Estados Unidos para a República Popular da China” enumera desafios de diversas naturezas que a RPC coloca atualmente para os Estados Unidos. Incluído nos desafios econômicos encontra-se a Iniciativa Cinturão e Rota, através da qual a “China procura fortalecer a posição de suas empresas no mercado global, em detrimento de firmas não chinesas”.  O documento avalia que a China procurará obter “vantagens econômicas e militares indevidas, para impor o pensamento do Partido Comunista Chinês e censurar a livre expressão”. 

As reações de outros países. Alguns países que participam da Iniciativa procuraram manter o equilíbrio entre os benefícios a obter e as despesas envolvidas.  Outros não souberam controlar o endividamento.

Paquistão. O país representa o carro-chefe do Cinturão e Rota. Através do Corredor Econômico China-Paquistão uma série de projetos de infraestrutura serão implementados, com ênfase na expansão das ferrovias e no setor energético. As indústrias do Paquistão serão encorajadas a mudar de um sistema de montagem de partes importadas para a produção local. 

Acrescenta o periódico paquistanês Express Tribune que a moeda chinesa terá status semelhante ao do dólar  no comércio bilateral entre os dois países. A cooperação  deverá incluir os setores industriais de química, farmacêutica, aço, ferro, agro, materiais de construção e bens de engenharia, dentre outros. 

Artigo de julho de 2020 no Al Jazeera reconhece que o financiamento chinês ajudou o Paquistão a superar a deficiência em energia elétrica, que tanto prejudicava a produção industrial. Após um período de morosidade depois que o primeiro-ministro Imran Khan assumiu em 2018, a nova gerência do CPEC está conseguindo revitalizar o programa. 

container no primeiro navio chines partindo do CPEC porto em gwadar nov 2016 Caren Firouz Reuters
Primeiro navio de carga chinês partindo do Porto de Gwadar, Nov. 2016 \ Foto: Caren Firouz/Reuters

China e Paquistão assinaram em junho e julho deste ano, projetos no valor de 11 bilhões de dólares, incluindo a construção de duas represas hidrelétricas e investimentos na revitalização do sistema ferroviário. Os projetos das hidrelétricas serão desenvolvidos da parte da Caxemira administrada pelo Paquistão, uma região que foi palco de duas guerras com a Índia.  

Problemas sérios podem surgir, com o anúncio feito pelos grupos separatistas  paquistaneses Baloch e Sindhi, de que se uniram para atacar os interesses chineses no país. Segundo a declaração conjunta de 25 de julho, “através do Corredor Econômico paquistanês a China almeja subjugar Sindh e Baloquistão, e ocupar as costas e recursos de Badin a Gwadar”. O Paquistão acusa a Índia de apoiar os insurgentes. 

Os separatistas já haviam assumido a autoria do ataque a Bolsa de Valores do Paquistão em junho, e do Pearl Continental Hotel em Gwadar, em 2019. Analistas consideram que os insurgentes não têm capacidade para rivalizar com o governo paquistanês, mas os custos com a segurança dos projetos devem aumentar. É também provável que os projetos do CPEP passem a empregar mais mão de obra local, como forma de ganhar apoio nas comunidades, estima o artigo. 

Índia. Os Estados Unidos veem a Índia como um contrapeso à China, mas os líderes dos dois países vêm investindo em laços mais próximos. Mesmo não participando do Cinturão e Rota, a Índia não renega totalmente as vantagens que uma proximidade com a China pode trazer. O país foi membro fundador do Banco de Investimentos em Infraestrutura Asiática (AIIB, na sigla em inglês), fomentado pela China. 

Quando do lançamento da Iniciativa em 2017 a Índia expressou o seu apoio ao aumento da conectividade entre os países da região, mas ressaltou  que diversos requisitos precisariam ser atendidos, como transparência dos custos, proteção ambiental, transferência de tecnologia, respeito à integridade territorial e soberania, atendimento de normas de boa governança e controle financeiro, para não gerar dívidas insustentáveis. 

A Índia também levantou objeções ao CPEC, alegando que o projeto ignora sua soberania e integridade territorial. Para a ligação da China Ocidental ao Porto de Gwadar através das planícies do Paquistão, é necessário passar por regiões da Caxemira que pertenceram a Índia. 

Segundo o think tank CFR, a Índia procurou convencer outros países, que o Cinturão e Rota é um plano da China para dominar a Ásia, através da estratégia geoeconômica que alguns analistas denominaram de “armadilha da dívida”.  A suspeita levantada é de que débitos insustentáveis gerados pelos acordos seriam usados pela China para obter vantagens. 

Sri Lanka. O New York Times relata que o governo do Sri Lanka precisou ceder aos chineses o Porto de Hambantota por 99 anos, devido ao acúmulo de dívidas com a estatal chinesa, China Harbor Engineering Company.  O motivo teria sido um erro na previsão da utilização do porto, que ficou bem abaixo do esperado, mesmo estando situado próximo à rotas marítimas de grande movimento.

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Porto Hambantota, Sri Lanka \ Foto: New York Times

Casaquistão.  Ocorreram protestos em 2019 contra a construção de fábricas chinesas, devido aos custos elevados e também pela situação da etnia Uigur na província de Xinjiang. 

Rússia. Moscou se tornou um parceiro entusiástico do Cinturão e Rota, superando os receios iniciais de que a Iniciativa iria interferir com a tradicional esfera de influência russa e a visão de Vladimir Putin, de uma União Econômica Eurasiana. Mas conforme as relações da Rússia com o Ocidente se deterioraram, Putin procura agora associar sua visão Eurasiana com o Cinturão e Rota. 

Europa. Vários países do Leste e Centro da Europa aceitaram financiamento da Iniciativa. Na Europa Ocidental, Itália, Portugal e Luxemburgo assinaram os acordos iniciais. A cooperação seria uma forma de atrair investimentos chineses para melhorar a capacidade de competição com firmas norte-americanas, e mesmo com outros países da Europa. 

O efeito da Covid-19. A pandemia da Covid-19 trouxe solavancos no andamento do Cinturão e Rota. O jornalista Pepe Escobar salienta que as interrupções ocorridas nas cadeias de fornecimento, e as restrições nas viagens e nas concessões de vistos concorreram para uma interrupção temporária da tão almejada “conectividade entre os países”, que está no cerne da Iniciativa. No entanto, o jornalista ressalta que o projeto não descarrilou. Obras importantes na ferrovia de alta velocidade ligando a China ao Laos não teriam sido interrompidas, e outras foram retomadas após interrupção de poucos meses. 

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Covid-19 atrasa obras da ferrovia Karachi-Peshawar, no Paquistão \ Foto:Reuters

Finalizando. Para o estabelecimento de uma nova ordem econômica no leste asiático centrada na China a liderança chinesa precisará superar desafios e desconfianças, principalmente desanuviando os receios dos parceiros de uma dominação pelo gigante asiático. Por outro lado, cabe aos parceiros procurar negociar melhores condições para os contratos, tal que que não causem endividamento. No entanto, a perspectiva da China estar na rota para se tornar a maior potência econômica mundial deixa alarmadas as lideranças do Ocidente. 

Pode se esperar o recrudescimento das campanhas anti-China, com todas as armas que a guerra híbrida oferece. Este vai ser o tema do terceiro e último artigo desta série.  

Notas do autor:

1. Os think tanks dependem de vultosas contribuições para manter a estrutura de dezenas ou centenas de analistas especializados, o que pode comprometer a independência que eles proclamam ter. A relação das fontes de financiamento do CSIS por meio de doações individuais, de fundações, corporações e governos pode ser acessada aqui. A relação de doadores do CFR é apresentada em bases anuais. A mais recente  disponibilizada  (2018/19) pode ser acessada aqui, e a relação dos membros corporativos, aqui.

Ruben Rosenthal é professor aposentado da Universidade Estadual do Norte Fluminense, e responsável pelo blogue Chacoalhando (acesse o índice de artigos).

 

 

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