Luz ultravioleta na desinfecção de máscaras de proteção contra o coronavírus, por Ruben Rosenthal

Com a falta de máscaras nos hospitais para proteger os profissionais da saúde, o método pode possibilitar a reutilização de uma máscara por diversos dias.

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Uso de luz UV na desinfecção de produtos hospitalares, Centro Médico da Universidade de Nebraska  /  Créditos: Calla Kessler  / The New York Times

Artigo de Calla Kessler, no The New York Times revelou que os administradores do Centro Médico da Universidade de Nebraska, Omaha, estão conduzindo experimento com uso de  luz ultravioleta para descontaminar máscaras N95, que são utilizadas por profissionais de saúde que tratam pacientes infectados com o COVID-19.

Estas máscaras são certificadas para uso por uma única vez, mas, com a ameaça de falta de estoques, a administração do Centro resolveu adotar a experiência do reuso após desinfecção. O procedimento, ainda em fase experimental, começou na quinta feira, dia 19. O objetivo é conseguir estender o uso da máscara para mais de uma semana.

Trata-se possivelmente da primeira experiência de tentativa de desinfecção para reutilização destas máscaras, acreditam os administradores. Segundo John Lowe, que projetou o programa, outros centros médicos se interessaram em replicar os procedimentos adotados na Universidade de Nebraska.

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Dr. John Lowe, Centro Médico da Universidade de Nebraska, desenvolveu projeto desinfecção da máscara cirúrgica N95  / Créditos: Calla Kessler  / The New York Times

A administração estava ciente que os procedimentos estavam em violação das regras estipuladas pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos. Entretanto, ainda na quinta-feira, novas diretrizes foram emitidas para lidar com situações de falta da máscara N95 nos centros de saúde. Foi determinado que, em casos excepcionais, os hospitais poderiam fazer uso de máscaras não aprovadas pelo Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional.

Mesmo com esta “autorização” para que os hospitais possam descontaminar e reutilizar máscaras durante a pandemia, os administradores estão cientes de que podem vir a ocorrer casos de responsabilização judicial. Mas, para o Centro Médico da Universidade de Nebraska, a outra opção seria deixar esgotar o estoque de máscaras cirúrgicas em questão de poucas semanas.

O  dr. Mark Rupp, chefe do Centro Médico de Doenças Infecciosas da Universidade, está confiante de que as máscaras tratadas com radiação UV não serão danificadas e oferecerão proteção aos trabalhadores da saúde.

Pesquisas anteriores já haviam sido realizadas sobre possíveis métodos de desinfecção de máscaras cirúrgicas, inclusive com uso de luz UV, hipoclorito de sódio, gás etileno e calor úmido. Trabalhos publicados mostraram a viabilidade da reutilização de máscaras. No entanto, os estudos foram limitados, pois as crises anteriores como a epidemia SARS e da gripe H1N1 não chegaram a representar uma ameaça como a que existe atualmente.

O artigo do NYT salienta que a opção do Centro Médico da Universidade de Nebraska pelo uso da luz UV foi tomada, não apenas pela efetividade, como também pela conveniência.  Hospitais já utilizavam a luz UV para descontaminar quartos após a remoção de pacientes portadores de infecciosas perigosas, como no caso da bactéria Clostridium difficile ou do vírus Ebola.

Segundo relato do dr. Lowe, grandes lâmpadas UV são utilizadas na desinfecção, mas sem a presença de qualquer pessoa no local durante o procedimento. Pelo protocolo projetado por ele, a intensidade da radiação é 3  vezes maior que a necessária para matar o vírus, e a duração da exposição é de 3 a 5 minutos. O local onde o procedimento é conduzido tem as paredes na cor bege, para refletir a luz UV.

Lowe acrescenta ainda que, como a máscara se molda a face do profissional da saúde que a utilizou, ela deve ser retornada ao usuário original, de forma a manter uma perfeita vedação. Cuidados são tomados para que não ocorra a troca de máscaras.

Algumas respostas ainda não foram obtidas, como o número de vezes que uma máscara pode ser reutilizada. Por enquanto, o tempo de uso está limitado a uma semana, mas a intenção é de prosseguir no experimento, de forma a ampliar de alguns dias esta utilização, segundo o dr. Rupp. E se processos judiciais decorrerem, pelo menos foi por fazer a coisa certa, acrescentou o chefe do Centro Médico de Doenças Infecciosas da Universidade.

Ainda sobre o uso da luz ultravioleta no combate ao novo coronavírus, artigo de Cláudio Yuge, publicado no Canaltech, relata que na China, a empresa de transporte público de Xangai faz uso da radiação UV na desinfecção dos ônibus, levando o procedimento apenas 5 minutos.  Também o banco central da China vem fazendo uso da técnica para desinfetar cédulas de dinheiro, no combate a pandemia. O próximo passo será a utilização em elevadores.

O artigo no Canaltech ressalta também o aviso da Organização Mundial da Saúde que as equipes devem permanecer fora dos recintos em que a esterilização ocorre, e o alerta para os riscos de uso em ambiente residencial. As lâmpadas UV não devem ser usadas para desinfetar as mãos ou outras áreas da pele, acrescenta.  

Ruben Rosenthal é professor aposentado da Universidade Estadual do Norte Fluminense, e responsável pelo blogue Chacoalhando.

 

 

 

 

 

5 comentários em “Luz ultravioleta na desinfecção de máscaras de proteção contra o coronavírus, por Ruben Rosenthal

    1. Agradeço pelo comentário Júlio. Mas continuam a não dar importância à desinfecção de máscaras N95 no país. Abraço

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